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QUANDO AS MÁSCARAS CAEM


O Carnaval - a festa da carne - é a maior festa do mundo.  No Brasil o impacto do Carnaval é enorme.  Os meios de comunicação ficam ocupados com ele a maior parte do tempo e a nação, com exceção dos setores de turismo, quase paralisa. De uma forma ou de outra todos nós somos afetados nesse período. Por essa razão hoje vamos falar sobre o tema.
Quando falamos de Carnaval, a primeira coisa que nos vem à mente são as máscaras.  Geralmente, acredita-se que é durante esta festa pagã que as pessoas se escondem atrás de máscaras e fantasias.
Porém, quase sempre acontece exatamente o contrário. Durante os dias de folia muitas pessoas tiram as máscaras usadas durante todo o ano e liberam seus desejos mais ocultos. Por alguns dias o chefe de família remove a máscara de autoridade e cai na gandaia. A dona de casa tímida se desfaz do papel que representa e se solta na avenida.
O problema não é o Carnaval em si enquanto festa popular. O problema é a natureza humana corrompida. O que o Carnaval oferece é o ambiente adequado para que esta natureza se revele sem qualquer pudor.
Há pessoas que conseguem viver mascaradas por anos sem que ninguém perceba sua hipocrisia. Deus, porém, conhece a pessoa por trás da fantasia e sabe exatamente as intenções do coração. Ele não se impressiona com nossa atuação.

A realidade das máscaras na história humana
Máscaras acompanham a história da humanidade desde os primórdios. Tribos indígenas desenhavam máscaras no próprio rosto. Os egípcios faziam máscaras funerárias para que o morto fosse reconhecido no além. Quando o homem primitivo ia caçar, se mascarava para ganhar poder sob sua presa. Ela era também utilizada para se aproximar dos deuses e das forças da natureza.
Fora do universo dos rituais existem outros tipos de máscaras. A palavra “personalidade” vem do latim “persona”, que significa: máscara. A personalidade humana funciona como uma máscara invisível que criamos para nos adaptarmos ao meio social. Para despir esta máscara é preciso contrariar os hábitos, vícios e paixões que cada tipo de personalidade adquire desde a primeira infância. Algo que não é nada fácil.
O mundo que nos cerca é capitalista, competitivo. Nele devemos nos mostrar fortes, inteligentes, bonitos, bem sucedidos. Para não mostrar algum tipo de fragilidade, nem sempre podemos manifestar nossos sentimentos abertamente, o que acaba fazendo surgir uma “máscara social”, muito útil para a convivência. Mas nem os super-heróis resistem ao anonimato. Assim como nos bailes de Carnaval, sempre há o momento em que as máscaras caem. Cedo ou tarde, nossas verdades serão reveladas e nossos verdadeiros rostos serão mostrados. Resta saber de quem será a iniciativa.

Quando as máscaras caem
Isaías, filho de Amoz, foi nascido de uma família influente da classe alta.  Teve contato com a realeza e foi um conselheiro de assuntos internacionais no reino de Judá.
No ano que o rei Uzias morreu - cerca de 740 a.C. - o profeta recebeu uma revelação da parte do Senhor (Is 6.1-4).  Para compreendermos melhor o texto, vamos lê-lo na NTLH:
No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor sentado num trono alto e elevado. O seu manto se estendia pelo Templo inteiro, e em volta dele estavam Serafins. Cada um deles tinha seis asas: com duas eles cobriam o rosto, com duas cobriam o corpo e com as outras duas voavam. Eles diziam em voz alta uns para os outros: “Santo, santo, santo é o SENHOR Todo-Poderoso; a sua presença gloriosa enche o mundo inteiro!”.  O barulho das vozes dos Serafins fez tremer os alicerces do Templo, que foi ficando cheio de fumaça”.
A revelação contrariou os hábitos, vícios e paixões do profeta, e a sua máscara caiu. Diante da magnitude daquela visão, Isaías fez três constatações: 1- Sou pecador; 2- A sociedade em que vivo é pecadora; 3- Por merecimento, vou morrer.  O versículo 5 nos diz:
“... Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem lábios impuros. E com os meus próprios olhos vi o Rei, o SENHOR Todo-Poderoso!”.
Observamos que aqui Isaías estava sem máscaras.  Ele não tentou maquiar sua realidade e nem justificar a sua situação.  Ele foi sincero. Acredito que a sensação do profeta foi a de penetrar no Santo dos Santos sem nenhum preparo, o que ocasionava morte imediata (ler Lv 16.2).
Mas a reação divina ao homem sem máscara não é matá-lo.  Nos versículos 6 e 7 lemos sobre o modo como Deus tratou o problema:
“Aí um dos Serafins voou para mim, segurando com uma tenaz uma brasa que havia tirado do altar. Ele tocou a minha boca com a brasa e disse: — Agora que esta brasa tocou os seus lábios, as suas culpas estão tiradas, e os seus pecados estão perdoados”.

Deixar as máscaras – o caminho para a bênção de Deus
Em 2 Re 5.1-27 lemos a história de Naamã, o comandante do exército da Síria.  Seu currículo era invejável: grande homem diante do rei, altamente conceituado diante do povo, vitorioso em batalhas e herói de guerra.  Naamã era sempre visto em sua imponente farda militar ou na sua armadura de combate. Entretanto, diz a bíblia, por trás daquele fardamento glorioso, estava um homem leproso.
Por sugestão de uma menina que servia na sua casa, Naamã foi ter com o profeta Eliseu em busca da cura para o seu corpo.  Através de um porta-voz, Eliseu  Mas essa simples tarefa causou enorme indignação e resistência por parte do militar.  Qual a razão disso? Porque para lavar-se no Jordão, Naamã teria que remover sua armadura e mostrar-se exatamente como ele era.
Depois de algum esforço por parte dos seus assessores, o comandante resolveu atender ao profeta e quando removeu seus paramentos e lavou-se, foi imediatamente curado.
Jesus Cristo nunca teve nenhum problema em andar com pecadores.  Ele comeu com eles, entrou em suas casas e os amou.  Mas não existe nenhum registro bíblico que apresente Jesus tendo paz com hipócritas.  O nosso mascaramento impede orações de serem respondidas e bloqueia o caminho para a bênção de Deus.
Lembre-se de duas coisas: Jesus não tem nenhuma dificuldade em relacionar-se com pecadores.  Ele não veio para matá-los, e sim, salvá-los. Segundo lugar, todas as máscaras serão, em algum dia, retiradas.  Que tal tomar a iniciativa e mostrar-se para Deus como você é, antes que as máscaras  caiam?
 

Um comentário:

  1. Diante de nós, todas as máscaras caem. Jesus nos cura de toda a dissimulação, até daquela em que fingimos ter fé. Ele nos devolve a verdadeira fé na Palavra. Deus seja louvado pela vida do Pastor Joel e de sua família.

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